martes, 26 de junio de 2012

A PRIVATIZACION DA AUGA EN PORTUGAL

(JORNAL AVANTE)

Deputados do PSD e CDS apresentaram, a 31 de Maio, o projecto de resolução n.º 325 em que, dissimulados num conjunto de pseudo-boas intenções, se procura camuflar os três eixos centrais da sua política para o sector da água: aumento brutal das tarifas, retirada das competências aos municípios e privatização dos serviços.

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O Governo, através da ministra da tutela, e o Grupo AdP, pela voz da sua administração, têm procurado fazer passar o sound bite da harmonização tarifária, que se reafirma como objectivo no presente projecto de resolução. Deixando agora de lado a pertinente questão que é a de saber se é de facto um objectivo interessante para os portugueses pagar tarifas de água iguais em todo o País, e a incontornável questão do modelo proposto, que pomposamente se designa de «solidariedade tarifária» mas que não é outra coisa do que mais um aumento da carga fiscal, criando mais um imposto indirecto, desta vez sobre o consumo de água – em que qualquer trabalhador das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto se constituirá em financiador dos consumos de água de qualquer grande empresário que possua um solar na Beira ou uma casa de praia no Litoral Alentejano, por via da «sobretaxa» de «solidariedade» a liquidar pelos utentes dos sistemas maiores –, foquemo-nos no essencial: qual o impacto para os utentes dos serviços do processo que se propõe? A resposta é muito evidente: um brutal aumento da factura da água. E, pasme-se, maior para aqueles que supostamente se pretende proteger, os dos sistemas mais pequenos.

Segundo o estudo periódico sobre tarifas de água1 da Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Água (APDA) relativo ao ano de 2010, o preço/m3 do serviço de água (AA) e saneamento (AR) custava em Portugal (médias ponderadas para AA+AR) 1,37 euros/m3, para consumos de 10m3/mês (120m3/ano; 164,41,00 euros), e 1,46 euros/m3, para consumos de 17m3/mês (200m3/ano; 291,00 euros).

Aceitando o objectivo declarado pela AdP de «harmonizar» entre os 2,5 e os 3,0 euros/m3, e acreditando que se referem ao conjunto dos dois serviços (AA+AR), estamos perante um aumento médio de entre 82% e 118% para a 1.ª tipologia de consumo e de entre 71% e 105% para a segunda.

Nos quadros que publicamos em separado verifica-se que os maiores aumentos acontecerão nas regiões de Alentejo, Algarve, Açores e Madeira, ou seja em parte significativa do território considerado mais deprimido, ou seja naqueles território que supostamente se pretendia, através da harmonização, proteger do aumento da factura do serviço, variando nestas regiões o impacto desta medida de «solidariedade tarifária» entre 100% e 278% de aumento.

Acresce considerar, em cima deste já de si violento incremento das tarifas de água e saneamento, o que resultará, por consequência, sobre a tarifa de resíduos sólidos – nos municípios onde esta se encontra indexada à água por percentagem do valor pago, o que ocorre em parte significativa do território –, e o crescimento do valor a pagar pelo IVA, parcelas que no seu conjunto não deixarão de representar mais algumas dezenas de euros anuais.

Por outro lado, a intenção declarada de instituir um preço «harmonizado» representa um desrespeito pela autonomia dos municípios, entidades que, detendo a competência de suprir as necessidades das populações em água e saneamento, são também responsáveis pela definição das tarifas. Sendo grave esse desrespeito quando afirmado pelo Governo, torna-se insólito quando dado como adquirido pela administração de uma empresa pública que, com um absoluto desrespeito pela Lei, pelas instituições democráticas e pelos órgãos eleitos pela população faz tábua rasa das competências legais.

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Privatizar é o objectivo
O caminho de afrontamento aos municípios é confirmado, no presente projecto de resolução e pelas múltiplas intervenções da ministra Assunção Cristas, na intenção de impor a designada integração vertical e horizontal dos diferentes operadores, na esmagadora maioria ainda municipais, em quatro ou cinco grandes sistemas. Imposição essa que se procura ocultar numa falsa e vaga declaração de intenções de promover a «flexibilidade e pluralidade das formas de gestão», sem respaldo na praxis governativa, que não só continua e aprofunda a chantagem sobre os municípios através da imposição de inexequíveis planos de pagamentos à AdP – respeitantes a dívidas que em grande medida resultam de um modelo de investimentos imposto aos municípios, sobre-avaliado e desfasado das reais possibilidades das finanças locais – bem como pela colocação de entraves legais (p.e. o impedimento de criação de novas empresas municipais) e pela total ausência de medidas de apoio ao Poder Local que pretenda reestruturar, num patamar intermunicipal, os serviços de atendimento à população. O objetivo é sem dúvida a retirada das competências e dos sistemas das mãos dos municípios para, ao mesmo tempo que acedem directamente à receita gerada, promoverem a organização dos sistemas à forma mais adequada aos interesses privados, com vista à sua futura privatização, sob o eufemismo de concessões.

Perante as evidências, resta perguntar por que se dá o Governo a tamanho trabalho de ocultação das suas intenções. A resposta, aqui como em muitas outras frentes da ação governativa, é óbvia: porque está consciente da oposição dos portugueses aos seus verdadeiros intentos de espoliação do património produtivo e de prestação de serviços de relevante interesse social, retirando-os de todos para os colocar ao serviço dos interesses económicos de alguns.

Importa pois denunciar o erro e a hipocrisia desta política, opondo-nos à subida generalizada das tarifas de água, à retirada das competências municipais e à privatização dos serviços.



1 «Água e Saneamento em Portugal – O Mercado e os Preços 2010», Comissão Especializada de Legislação e Economia, APDA. Lisboa, Dezembro de 2010.

EU ANTE O ACORDO DO PLENO DE VIGO SOBRE TARIFICACIÓN DO CONSUMO DE AUGA

Sede de Aqualia en Vigo
ESQUERDA UNIDA DE VIGO CONSIDERA “PAPEL MOLLADO” O ACORDO DO PLENO SOBRE PAGO POR CONSUMO EN AQUALIA E DENUNCIA QUE O QUE ESCONDE O PP NO CAMBIO TARIFARIO E APLICAR O CANON DA AUGA EN VIGO

EU considera que para poder modificar a tarificación na ordenanza municipal e que a empresa concesionaria non execute penalizacións ao Concello (que indirectamente pagamos todos os vigueses e viguesas) o único camiño é anular a PRÓRROGA A AQUALIA e evaluar de xeito real a remunicipalización do servicio evitando a entrada de capital privado nun sector tan acosado polos especuladores económicos na actualidade como o da auga e o saneamento.

EU continúa a defensa activa dun referendo popular vinculante sobre a prórroga que este goberno local otorgou a AQUALIA aínda tendo informes técnicos que o desaconsellaban, defensa que exemplificamos na recollida de sinaturas que dende fai meses levamos a cabo nas rúas e barrios de Vigo e que acumula máis de 6000 sinaturas uns meses antes da finalización da mesma.

EU igualmente defenderá á volta á xestión 100×100 pública do ciclo integral da auga, nun tempo no que a LEI DE AUGAS que promove a Xunta de Galicia amenaza con convertir un dereito nun negocio privado e altamente lucrativo. Pedimos que Vigo siga o exemplo de París e outros concellos galos que ante o lucro que xeneraban a multinacionais como Suez remunicipalizou o servicio en 2010 creando a empresa pública de augas de París.

En Esquerda Unida estamos de acordo en que se deben implementar medidas de cara a unha maior racionalización no consumo da auga que evite o seu malgasto. Mais consideramos que unha cantidade mínima de auga debería estar garantida a todas as persoas e non suxeita a ningún tipo de cobro, xa que logo Esquerda Unida oponse ao canón da auga que propón o PP na lei de augas de Galicia e que está no fondo do novo posicionamento municipal en Vigo de trocar o sistema tarifario.

O artigo 45º.1 da Lei de Augas di: Constitúe o feito impoñible do canon da auga o uso ou o consumo real ou potencial da auga de calquera procedencia, con calquera finalidade e mediante calquera aplicación, mesmo non consuntiva, por causa da afección ao medio que a súa utilización poida producir, considerándose incluída dentro desta afección a incorporación de contaminantes nas augas, e sen prexuízo dos supostos de non suxeición e exención previstos no artigo 7.

Isto supón que estarán suxeitas ao pagamento do canon da auga todas as persoas polo feito de consumir auga aínda que sexa mediante captación comunal, pozo ou auga da chuvia. É dicir, polo feito de estar vivas. Non se garante unha cantidade mínima exenta de pago, de onde se deduce o carácter unicamente recadatorio desta Lei. Supón outra volta de porca máis na liña de facer repercutir as consecuencias da actual crise económica sobre a maioría social.

jueves, 19 de abril de 2012

ESQUERDA UNIDA DE VIGO APOIA A INICIATIVA CIDADÁ EUROPEA PROMOVIDA POR CC.OO E UXT “A AUGA É UN DEREITO HUMANO"


O procedemento da iniciativa, impulsada pola Federación Europea de Servizos Públicos (EPSU), é un novo mecanismo de participación da cidadanía europea, que require o respaldo dun millón de firmas de 9 Estados Membro, cun 1% do censo de cada un deles.



Esquerda Unida mostrou o seu apoio á iniciativa “A auga é un dereito humano” (Water is a Human Right), promovida por CC.OO e UXT en España, e impulsada pola Federación Europea de Servizos Públicos (EPSU), que se desenvolve a través dun novo mecanismo de participación da cidadanía europea na política comunitaria que entrou en funcionamento o 1 de abril de 2012, e polo cal a Comisión Europea ha de ter en conta a petición presentada por unha organización legilitimada para iso, cando conte co respaldo dun millón de firmas representativas de 9 Estados Membros, e cun 1% do censo de cada un. En España o obxectivo mínimo son 50.000 firmas.

A iniciativa “A auga é un dereito humano” pretende lograr que “o acceso ao auga sexa considerado un dereito humano básico na Unión Europea como xa fixo Nacións Unidas a escala planetaria”. Como consecuencia, “a Comisión Europea debe lexislar coa finalidade de evitar que a auga sexa tratada como unha mercadoría e co obxectivo de que sexa considerada un “servizo básico”. Así mesmo, a iniciativa trata de restrinxir no ámbito europeo os abusos do mercado e das empresas e a privatización do abastecemento e saneamento.

Na proposta presentada á Comisión Europea, solicítase, entre outras cuestións, “incluír o dereito humano á auga e saneamento en todas as comunicacións relativas á auga, garantir servizos de auga (segura, saudable e económica) e saneamento para todas as persoas da UE e renunciar á comercialización dos servizos de auga, mediante a súa exclusión das normas do mercado interior”.

A través da web da iniciativa ‘www.right2water.eu‘ está a levarse un rexistro previo das persoas interesadas en participar.

miércoles, 21 de marzo de 2012

Declaración da Esquerda Europea con ocasión do Foro Alternativo Mundial da auga celebrado en Marsella, Francia, do 14 ao 17 de marzo de 2012

A Esquerda Europea está decididamente comprometida na defensa dos recursos naturais e os bens comúns da humanidade, onde destaca de forma especial a auga, un recurso vital e escaso. Debido a este compromiso participou e apoiou activamente o Foro Alternativo Mundial da auga, que se clausurou hoxe en Marsella, Francia, e que se celebrou durante os días 14 a 17 de marzo de 2012.

Do mesmo xeito que o aire, o sol e os bosques, a auga é un recurso da humanidade que debe preservarse para manter os ecosistemas que permiten a vida sobre a Terra. A auga non é, en ningún caso, unha mercadoría.

A Esquerda Europea defende con firmeza o dereito inalienable ao auga como dereito humano e ben común da humanidade, comprometida na loita por lograr a propiedade e xestión pública da auga e dos servizos de saneamento que eviten a degradación e faciliten a reutilización deste recurso.

A crise actual do capitalismo neoliberal pon en perigo o conxunto dos recursos naturais e os bens de propiedade común. Vemos, por exemplo, aos gobernos europeos utilizar a crise como pretexto para establecer un proceso brutal de privatizacións sen límite e en todos os ámbitos. Converteron a débeda pública na punta de lanza do mecanismo destinado a privatizar todo o público, como nos mostra con toda crueza o caso de Grecia, onde en dous meses privatizaranse todas as entidades públicas que xestionan a auga.

Nesta situación, a Esquerda Europea denuncia a configuración actual do Foro Mundial da auga xa que está promovido polas grandes compañías privadas que pretenden apropiarse da auga co único obxectivo de comerciar con ela e incrementar os beneficios empresariais, eliminando, ao tempo, toda posibilidade de intervención democrática na xestión da auga por parte da cidadanía.

Con todo, para a Esquerda Europea, a implicación da cidadanía, de acódelas usuarias da auga, das asociacións ecoloxistas, dos sindicatos, das asociacións veciñais e das administracións públicas locais, é un obxectivo esencial na loita contra a ameaza de privatización. Por iso apoia a ampla loita social que se desenvolve en Europa en defensa da auga e, sobre todo, apoia o método do referendum promovido desde a base da sociedade que abre a consulta a toda a cidadanía sobre a propiedade e xestión pública da auga (Italia, Portugal, España, Francia,?).

En efecto, a Esquerda Europea considera que só un verdadeiro servizo público pode garantir o dereito á auga. Este servizo público ten que fundarse sobre unha organización descentralizada e controlada localmente polos plenos municipais e parlamentos autonómicos, acódelas usuarias e o mundo do traballo. Isto non pode ser realizado máis que co soporte financeiro do estado nos ámbitos autonómicos, estatais e europeos, colectivizando os medios para facilitar a repartición de cargas de forma xusta e solidaria, con acceso universal e equitativo á auga e ao saneamento independentemente do lugar onde se viva, creando a formación profesional regulada na área do coñecemento relativa á auga e desenvolvendo a investigación científica pública neste terreo xa que hoxe está acaparada pola multinacionais da auga. Na práctica, o devandito tradúcese na garantía de acceso á cantidade mínima de auga que necesita cada persoa para vivir (50 litros de auga por día e persoa segundo a recomendación de Nacións Unidas), e nunha xestión que diferencia os usos da auga (domésticos, agrícolas, industriais, de luxo,...) como resposta ao interese xeral da cidadanía.

A Esquerda Europea apoia tamén as loitas e iniciativas impulsadas, por parte das organizacións políticas que a integran, desde as institucións democráticas representativas dos ámbitos municipal, autonómico, estatal e europeo e a favor da propiedade e xestión pública da auga como dereito social a preservar.

Por iso propugna na Unión Europea a creación do Fondo Social e Solidario que substitúa ao actual «Fondo Europeo de Estabilidade Financeira», xa que este último só serve para impor austeridade á gran maioría das persoas, a parte da sociedade que non é responsable da crise financeira existente. O fondo europeo proposto é unha banca pública destinada a facilitar os investimentos ao servizo da actividade produtiva que xera desenvolvemento humano, social e ecolóxico. Devandito fondo ten que efectuar tamén un papel motor na posta en marcha da colaboración «pública-pública» en materia de cooperación internacional, para crear unha alternativa de carácter mundial ao saqueo orquestrado polas transnacionais.